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DIREITO À COMUNICAÇÃO: UM MUNDO, MUITAS VOZES... "Hoje eu acordei com a sensação de que tudo aquilo que eu sei pode estar com data vencida." CRUZ, Ana. E... Feito de Luz. RJ: 2006, p.43. (satira.jornalista@yahoo.com.br) (satira_machado@yahoo.com.br)

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Nome: Sátira Machado
Local: Viamão, RS, Brazil

satirajornalista.com

09 Novembro 2009

Negros gaúchos e afro-uruguaios abrem as comemoração do “20 de novembro” no Sul

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Lideranças lotaram as galerias da Câmara de Livramento

Foi aberto oficialmente, o mês da Consciência Negra no Estado alusivo às comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro), com âmbito internacional.

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Parque Internacional "Frontera de La Paz"

O evento aconteceu na fronteira entre Brasil e Uuguai, nas cidades de Santana do Livramento e Rivera, e reuniu mais de 300 lideranças do movimento negro gaúcho e do Uruguai, além da população da fronteira.

No dia 07 de novembro, conselheiros do Codene e gestores da Coordenação de DST/AIDS da Secretaria Estadual da Saúde, da Coordenadoria Estadual da Mulher, da Casa Civil, da Sulgas e da Coordenadoria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Copir) realizaram reuniões com gestores municipais para promover políticas públicas para os quilombolas e monitorar as ações em prol da saúde da população negra da região.

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Conselheiros e Gestores monitoram ações afirmativas


Dando continuidade a interiorização do Codene, que no último mês fez reunião na Jornada de Literatura de Passo Fundo, os conselheiros se reuniram na Casa do Advogado de Livramento. A pauta da reunião ordinária girou em torno da implementação da Lei 10.639/03, que inclui a “História e a Cultura Afro-Brasileira” no currículo escolar.

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Promotores de Justiça acolhem demandas do Codene

A matéria foi defendida pelo conselheiro do setor de Educação Afro da Secretaria Estadual de Educação, Prof. Edegar Barbosa. Participaram da reunião: educadores, jornalistas argentinos, representantes da prefeitura, da OAB e do movimento negro do Estado.

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Durante evento, município instituiu grupo gestor para implantar a Lei 10.639/03

Na noite de sábado, as delegações municipais foram convidadas para um jantar campeiro no CTG Princesa Isabel, fundado por negros da cidade, que contou com apresentações da invernada mirim.

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Na ocasição, a conselheira Liliana Cardoso do Codene, representante da Coordenadoria Estadual da Mulher, entregou ao patrão do CTG a obra "Prendas Gaúchas 39 anos".

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Em 2009, pela primeira vez uma mulher negra foi eleita Prenda Gaúcha do Estado

Após o jantar, as delegações se dirigiram para a sociedade centenária Clube Farroupilha, integrante do movimento clubista negro, onde aconteceu o Baile da Consciência Negra animado pela Banda Itinerante de Porto Alegre.

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Os convidados dançaram até o amanhecer

No dia 08 de novembro, ocorreu a partida de futebol festiva entre o Brasil e o Uruguai, disputadas pelos amigos da Liga da Canela Preta de POA, do Mundo Afro de Rivera e da fronteira.

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O amistoso deu vantagem para o Uruguai, no jogo acirrado na sede da ABB de Livramento, premiado com troféu alusivo ao “20 de novembro” para os dois times.

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Devido as chuvas, a abertura oficial das comemorações no Estado foi transferida do Parque Internacional “Fronteira de La Paz” para a Câmara de Vereadores de Santana do Livramento, cujas galerias ficaram lotadas com o público presente. Presidida pelo Prefeito de Livramento, a mesa de abertura foi composta por autoridades do Mundo Afro de Rivera, da Câmara de Vereadores, do Movimento Social negro, do governo do estado do RS. Lorensa Carrion representou a Embaixada da África do Sul.

A Embaixada da África do Sul se fez presente e emocionou a platéia ao falar em Mandela.

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Se as autoridades gaúchas compreenderem o poder integrador do 20 de Novembro, as ações sociais conjuntas entre sociedade civil e governos poderão acelerar o desenvolvimento social do Rio Grande do Sul. Nesse sentido, o evento atingiu seu objetivo: dar visibilidade ao grande número de negros e de negras que esse estado possui”, destacou o presidente Victor Hugo Amaro, do Codene.

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Sátira Machado, da Copir
Victor Hugo, do Codene
Liliana Cardoso, da Coordenadoria da Mulher

A homenagem ao poeta gaúcho Oliveira Silveira, um dos idealizadores do Dia da Consciência Negra, abriram as apresentações artísticas.

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Oliveira Silveira, in memorium

O grupo de dança “Clara Nunes”, dirigido por Serenita Melo do município de Caçapava do Sul, foi ovacionado por seu espetáculo que incluiu uma homenagem as mulheres negra gaúchas – heroínas farroupilhas representada por uma Anita Garibaldi negra, ao som da música de Marlene Pastro.

clara nunes
"Anita morena da pele macia
Amante de noite soldado de dia
Um filho no braço no outro um fuzil
Um filho no braço no outro um fuzil"

Aplaudida de pé foi a declamadora Liliana Cardoso, que interpretou “Quilombo do Morro Alto” ao som do violão do tradicionalista Gilbert Gisler, o “Xepa” de Livramento. Os hermanos do Mundo Afro de Rivera agradeceram a oportunidade de conhecer negros gaúchos de várias regiões do RS e presentearam a platéia com os sons dos tambores no show de Candombe.

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Mundo Afro de Rivera selou a amizade entre negros brasileiros e uruguaios

O samba de raiz invadiu Câmara com a apresentação de Cláudia Quadros e da Banda Itinerante, fazendo todos dançarem no parlamento. O encerramento ficou por conta das escolas de samba, quando os representantes dos municípios de Venâncio Aires, Lavras do Sul, Hulha Negra, Caçapava do Sul, Canoas, Palmares do Sul, Candiota, Viamão, Eldorado do Sul, Esteio, Bagé, Aceguá, São Leopoldo, Canguçu, Caxias do Sul e Porto Alegre iniciaram o retorno para as suas cidades. Muitos municípios enviaram mensagens de apoio ao evento, pois não puderam se deslocar para Livramento devido as fortes chuvas.

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Cláudia Quadros e a Banda Itinerante

Durante o mês de novembro, vários municípios gaúchos terão ampla programação local para refletir sobre a realidade sócio-econômica e cultural dos afro-descendentes da diáspora. O encerramento das comemorações será no dia 29 de novembro, na capital, com um Desfile Temático em homenagem ao Dia da Consciência Negra, realizado em parceria com a Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul (AECPARS) e a Prefeitura de Porto Alegre.

AGRADECIMENTOS

O evento foi uma iniciativa do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (Codene) do DECIDH da SJDS, em parceria com a Coordenadoria Estadual das Políticas de Igualdade Racial (Copir); o Departamento de DST/AIDS e a Escola de Saúde Pública da Secretaria Estadual Saúde; da Secretaria Estadual da Cultura, da Secretaria Estadual de Educação, da Secretaria Estadual de Agricultura, da Coordenadoria Estadual da Mulher; da Sulgás, da CEEE, da CEASA, da Prefeitura de Santana do Livramento, da Secretaria Municipal de Saúde, de várias entidades da sociedade civil.

O CODENE faz um agradecimento especial a todos os artistas que abrilhantaram o evento e a OAB, ao CTG Princesa Isabel, ao Clube Farroupilha, a ABB e a Câmara Municipal de Livramento, que acolheram os visitantes.


12 Agosto 2009

SANTA CLARIDADE in memorium - 12 de agosto

“... sou a mineira gerreira, filha de Ogum com Yansã...”
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Capa do disco Clara Esperança, onde a cantora profetiza que um dia o Brasil terá um presidente negro


Clara Nunes foi a primeira mulher brasileira a ganhar visibilidade na mídia cantando ritmos dos cultos aos Orixás. O modo de vestir roupas brancas, de se enfeitar com balangandãs e berenguendéns, de rodar descalça e de entoar os sons de África a fizeram ícone da Música Popular Brasileira.

Clara Francisca Nunes Gonçalves nasceu em 12 de agosto de 1942, em Cedro(hoje Caetanópolis), distrito de Paraopeba/MG. Batizada na Igreja de Santo Antônio, seu nome lembra o da padroeira da Televisão, Santa Clara de Assis que morreu em 11 de agosto de 1253. A voz de Clara teve destaque no coral da Igreja Católica do bairro de Renascença de Belo Horizonte. Em 1960 venceu seu primeiro concurso como cantora: A Voz de Ouro ABC, em Minas Gerais. Teve programas na Rádio Inconfidência e TV Itacolomi, de Belo Horizonte, entre outras emissoras.

Em 1965, já no Rio de Janeiro, apresentava-se na TV Continental. Nas areias de Copacabana, identificou-se com as religiões de matriz africana. O primeiro disco foi A voz adorável de Clara Nunes (1966), pela Emi-Odeom. Ao longo da carreira, cantou sambas-canção, sambas enredo, partido-alto e ritmos afro-brasileiros.

Vários discos foram sucesso de vendagem como, por exemplo: Canto das três raças (1976), As forças da natureza (1977) e Guerreira (1978). Chico Buarque compôs Morena de Angola especialmente para Clara Nunes, faixa do disco Brasil mestiço (1980). Músicas como A Deusa dos Orixás e Tributo aos Orixás também fizeram sucesso. Seu último disco foi Nação (1982). Clara Nunes morreu em 02 de Abril 1983.

No Rio Grande do Sul, a Associação Clara Nunes, presidida por Alexandre Gabriel, preserva a memória da cantora e realiza um trabalho social com crianças e jovens da comunidade da Vila São Miguel, no Morro da Polícia de Porto Alegre. A associação também mantém a Biblioteca do Negro Maria Helena Vargas da Silveira”, na residência da Profa. Yvanilda Belegante, em Viamão/RS. www.associacaoclaranunes.ubbi.com.br. No município de Caçapava do Sul, há 18 anos, também existe um grupo de dança chamado "Clara Nunes".

Confira, abaixo, alguns trechos de músicas interpretadas por Clara Nunes:

DEUSA DOS ORIXÁS
Composição: Romildo/Toninho
(...)
Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
(...)

TRIBUTO AOS ORIXÁS
Composição: Mauro Duarte / Noca / Rubem Tavares
(...)
Neste terreiro em festa
Entre mil adobás
Prestamos nosso tributo
Aos Orixás

Ao rei das matas : Okê bamboclim !
Ao vencedor das demandas : Guarumifá !
À cacarucaia dos Orixás : Saluba !
À grande guerreira da lei : Eparrei !

Nos rios e nas cachoeiras : Alodê !
Ao dono da pedreira : Caô,Caô !
À rainha do mar : Adofiaba mamãe !
E ao curandeiro das pestes : Atotô !

Agô-iê, Agô-iê, Agô
Mutumbá , Mutumbá
Pai maior,oni-babá!

(...)

MORENA DE ANGOLA
Composição:Chico Buarque

(...) Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
(...)

OBS: Pode-se encontrar a obra completa, em 16 CDs remasterizados, embalados em capas que reproduzem as originais (1997) ou no BOX CLARA NUNES, composto de 8 cd's contendo toda a sua obra + 1 cd Raridades (2004).

02 Julho 2009

Ministro da Seppir recebe gaúchos na II CONAPIR

Gaúchos reuniram-se com o ministro da Igualdade Racial, Édson Santos, durante a II CONAPIR (25 a 28 de junho/09). Na ocasição, a coordenadora da COPIR-RS, Sátira Machado, e representantes dos municípios de Santa Maria, Venâncio Aires, Santa Rosa, Montenegro, Osório, Passo Fundo, Gravataí, Pelotas e Porto Alegre dialogaram sobre a importância da promoção da igualdade e das ações afirmativas tornar-se políticas de Estado e não de governos específicos.

Na reunião, os representantes dos Clubes Sociais Negros convidaram o ministro da Seppir para visitar suas entidades no interior do Rio Grande do Sul, ficando acordada agenda para o segundo semestre de 2009. Além de valorizar os clubes, Édson Santos ressaltou a responsabilidade dos participantes da Conferência Nacional aprovarem propostas que realmente atendam as demandas sociais do povo brasileiro.

Durante o encontro, a coordenadora da Copir-RS entregou um ofício ao ministro agradecendo o apoio da Seppir ao Rio Grande do Sul e o documento escrito pela filha do escritor gaúcho Oliveira Silveira – poeta da consciência negra, onde Naiara Oliveira, através da Associação Negra de Cultura, solicita a parceria do Governo Federal na implantação da Casa de Cultura Oliveira Silveira em solo sul rio-grandense.

No decorrer da II Conferência de Promoção da Igualdade Racial, em Brasília, a delegação gaúcha participou ativamente dos painéis e grupos de trabalho.

No eixo Educação, colaboraram com a proposta de assegurar o acesso e a permanência de alunos negros, ciganos e indígenas no ensino fundamental e médio, além da manutenção de cursinhos preparatórios para os cursos superiores, dando grande ênfase a implementação da lei 10.639/03 e 11.645/08.

No eixo Saúde, votaram pela obrigatoriedade do quesito raça e cor em todos os impressos oficiais da saúde e assistência social com o objetivo de monitorar estatisticamente o acesso das populações negra, indígena, cigana e quilombolas.

No eixo Trabalho foi pautada a inclusão de negros, índios, trabalhadores rurais, aposentados e pensionistas no acesso, principalmente, da seguridade especial junto à previdência.

No eixo Terra, os quilombolas e indígenas reivindicaram mais moradias, escolas, saúde e espaços para aplicação da cidadania.

No eixo Internacional, além dos embaixadores da África solicitarem o ensino da história dos africanos em toda a América Latina, a delegação palestina, em grande parte gaúcha, garantiu a sua visibilidade no Brasil.

No eixo Justiça, as comunidades tradicionais - negros, quilombolas, comunidades de terreiro, povos indígenas e ciganos – posicionaram-se pela reparação dos danos sofridos em razão do racismo no Brasil.

Durante toda a Conferência, a juventude negra, os comunicadores, as mulheres negras, os capoeiristas, e os demais representantes gaúchos impulsionaram os debates em vários grupos de trabalho. O relatório da II CONAPIR está previsto para sair em 90 dias.

29 Junho 2009

REVOLUÇÃO AFRO-BRASILEIRA: EM BUSCA DA IGUALDADE

escrito por Sátira Machado[1]

Você já percebeu que estamos vivenciando uma revolução, que impulsiona a igualdade? É a Revolução Afro-brasileira. Trata-se de um dos grandes acontecimentos sociais que vem marcando a superação do racismo pela promoção da diversidade no Brasil. Mesmo que invisibilizada pela grande mídia, ganha o reconhecimento internacional e repercute no mundo inteiro[2].

Considero o marco inicial a primeira evocação do Dia da Consciência Negra, que foi uma manifestação do movimento negro gaúcho em alusão ao revolucionário Zumbi dos Palmares. Aconteceu em Porto Alegre, em 1971, quando o dia 20 de novembro foi celebrado e amplamente divulgado pelo poeta negro gaúcho Oliveira Silveira, justamente no Ano Internacional para Ações de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial (ONU).

Sem desconsiderar a anterior caminhada histórica dos afro-descendentes, de lá para cá muitas intervenções sociais impulsionaram a inclusão das negritudes nas brasilidades. Muitas delas, rompendo com os modelos tradicionais de análise do racismo, distantes do contexto nacional. Culminando com a criação da Fundação Cultural Palmares junto ao Ministério da Cultura em 1988, consolidando os ideais de Zumbi.

Para além das ondas de protestos nas ruas, como a Marcha Zumbi dos Palmares: contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida (1995), os vanguardistas dessa revolução simbólica também usam o gingado, o sorriso, os ritmos, os cabelos crespos, as cores vivas, o cantarolar, o toque, os balangandãs e o axé para exigir direitos iguais para todos e sensibilizar para a paz.

Em 2001, mais um passo importante foi dado. A significativa participação da delegação brasileira na III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Correlata (Durban – África do Sul) projetou-se no atual protagonismo do Brasil na execução de ações que materializam as recomendações de Durban, do ponto de vista do direito de ser “igual na diferença”, engrandecendo a América Latina e a África Negra.

Liderada pelos afro-brasileiros em movimento, a Revolução Afro-brasileira é regida pela busca da igualdade de oportunidades para todos no acesso aos bens materiais e imateriais da humanidade. Além de outras demandas, esse processo revolucionário vem relativizando o decadente privilégio da memória de alguns, colocando em seu lugar as reflexões sobre as relações étnico-raciais num país multicultural.

O clímax: a Lei 10.639/2003, resposta às reivindicações históricas do movimento social. A lei tem a co-autoria da ex-deputada gaúcha Esther Pillar Grossi, inclui a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no sistema de ensino e suas diretrizes de implantação tiveram a relatoria da gaúcha Profª Drª Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Nasce também para solucionar a grave crise das identidades nacionais, que afetam o desenvolvimento sócio-econômico pleno do Brasil e potencializa várias outras ações afirmativas de promoção da igualdade para todos, principalmente para as etnias historicamente discriminadas.

Revolução institucionalizada em 2003, quando negros e negras, principalmente, assumem os governos brasileiros através da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial ligada ao Gabinete do Presidente da República, expandindo-se nos órgãos governamentais correlatos criados nos estados e municípios da federação.

A esses gestores governamentais, oriundos dos movimentos sociais, somam-se os aliados da igualdade de vários grupos: os judeus, os palestinos, os ciganos, os indígenas, entre outros de diversas etnias que também buscam o fim das desigualdades, num mutirão de implementação de políticas públicas em várias áreas sociais.

Nessa monta, há mais de 35 anos, em todo o território nacional as festas novembrinas do Dia Nacional de Consciência Negra enegrecem o país com exposições, festivais, convenções, etc. Formatam assim um movimento de reação crítica aos padrões que despersonalizam os brasileiros, provocando fortes reações de setores conservadores.

Então, por trazerem experiências inovadoras e originais que incorporam anseios de revitalização cultural e social do país, os anos de Revolução Afro-brasileira são dignos de um capítulo nos livros didáticos brasileiros, necessitando ser valorizada por nossa historiografia oficial, assim como a Semana de Arte Moderna, por exemplo.

[1] Professora, jornalista, doutoranda em comunicação.
[2] Entendo que os estudos sobre a Revolução Afro-brasileira compreendem em elencar vários aspectos da história social, econômica, educacional, cultural, religiosa, etc, que incluem os afro-descendentes no Brasil. Essa abordagem está sendo desenvolvida no meu processo de doutoramento. Sugestões para satira.jornalista@yahoo.com.br.

15 Junho 2009

Lei da História da África ganha Plano Nacional de Implementação

Está finalizado o Plano Nacional de Implementação da Lei nº 10.639, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e torna obrigatório o ensino de história e cultura da África e das populações negras brasileiras nas escolas de todo o país.

Desenvolvido pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/ MEC), em parceria com a Subsecretaria de Políticas de Ação Afirmativa (SubAA/ SEPPIR), o Plano de Implementação incorpora as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Etnicorracias e para o Ensino de História e Cultura Afrobrasileira e Africana nos sistemas de ensino brasileiro, compreendendo um público de 53 milhões de alunos e quase 3 milhões de professores.

O Plano prevê e enfatiza as diferentes responsabilidades do poderes executivos, dos legislativos e dos conselhos de educação municipais, estaduais e federal no processo, e trabalha na perspectiva de três ações principais: formação dos professores, produção do material didático e sensibilização dos gestores da educação.

O documento reafirma a importância da criação da Lei nº 10.639, em 2003, e relembra que durante a formulação da política educacional de implementação da lei, a SEPPIR e o MEC, em parceria, executaram uma série de ações afirmativas como o PROUNI, formação continuada de professores, publicação de material didático, realização de pesquisas, e a ampliação dos Núcleos de Estudos Afrobrasileiros (NEAB), entre outras.

Estão propostos seis eixos estratégicos: fortalecimento do marco legal; política de formação inicial e continuada; política de materiais didáticos e paradidáticos; gestão democrática e mecanismos de participação social; avaliação e monitoramento; e condições institucionais.

Os eixos visam institucionalizar a temática no Plano Nacional de Educação (PNE). Eles constituem as principais ações operacionais para a revisão da política curricular utilizando os mecanismos de controle social, como a aplicação de indicadores que permitam o aprimoramento das políticas de promoção da igualdade na educação. O documento determina ainda as responsabilidades dos governos federal, estaduais e municipais, bem como de seus órgãos e instituições de educação.

Educação Quilombola – Um aspecto de destaque são as ações específicas para garantir o acesso à educação em comunidades remanescentes de quilombos considerando o processo histórico e cultural quilombola. Para a implementação de ações nessas áreas será necessário o levantamento das condições estruturais e pedagógicas das escolas localizadas nas comunidades. O documento também prevê a construção e ampliação da rede física escolar, a capacitação de gestores locais para atender as áreas quilombolas, a formação continuada de profissionais de educação que atuem nessas comunidades, e a disponibilizarão de materiais didáticos específicos.

Comunicação Social da SEPPIR/ PR

08 Junho 2009

Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial é publicado em decreto do presidente Lula

Aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PLANAPIR) foi publicado na edição do Diário Oficial da União de 5 de junho.

Idealizado em 2005, com base nas propostas apresentadas na I Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o PLANAPIR indica ao Estado as metas para superar as desigualdades raciais existentes no Brasil, por meio da adoção de políticas de ações afirmativas, associadas às políticas universais.

Para conhecer o PLANAPIR na íntegra, acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6872.htm

26 Maio 2009

Nova Maioria: Interior gaúcho derrota correntes

Por: Redação - Fonte: Afropress - 26/5/2009
www.afropress.com - por Dojival Vieira

Porto Alegre – A II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Rio Grande do Sul, que aconteceu neste final de semana (23 e 24/05) no Hotel City, em Porto Alegre, mostrou que as correntes políticas organizadas (na sua maioria ligadas ou expressão de partidos políticos) que julgavam ter o controle do Movimento Negro gaúcho perderam espaço e já não tem maioria.

Dos 40 delegados representantes da sociedade civil, apenas oito são da região metropolitana, dominada por essas correntes. Os demais representam as oito regiões do interior do Estado, apesar de ativistas ligados a correntes políticas organizadas do Movimento Negro gaúcho como o MNU/RS, a CONEN, a UNEGRO – todas presentes em outros Estados - e outras articulações locais de menor expressão terem atuado para conquistar a maioria.

O Rio Grande terá 57 delegados na II Conferência Nacional marcada que acontecerá de 25 a 28 de junho, em Brasília assim divididos: 40 da sociedade civil, 10 indicados por Governos Municipais, quatro do Governo do Estado e três parlamentares.

Tumultos

Militantes desses grupos, segundo as entidades organizadoras da Conferência, convocada pela Secretaria da Justiça, teriam tentado, sem sucesso segundo relato de membros da Comissão Organizadora, dificultar a presença de delegados do interior, e chegaram a criar um clima de tumulto durante os trabalhos com o objetivo de intimidar delegados pouco acostumados ao embate com grupos organizados. Só a discussão do Regimento durou das 17h às 22h do sábado e continuou no domingo pela manhã, como parte da tática de provocar o esvaziamento do encontro, o que acabou não acontecendo.

No total 300 delegados participaram da Conferência - aberta pelo Secretário da Justiça e Desenvolvimento Social, Fernando Schüler e pelo ministro chefe da Seppir, deputado Edson Santos (foto) - 240 do interior e 60 da região metropolitana.

Segundo a Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial no Estado (COPPIR), jornalista Sátira Machado, a Conferência demonstrou que há uma nova realidade. “Está surgindo uma nova consciência negra no Rio Grande do Sul. Em choque com idéias radicais, mentes sensatas refletem sobre a igualdade num movimento emergente que vêm dos municípios do interior do Estado, onde segundo o IBGE está a maior concentração de população afro-gaúcha", afirmou.

Serviçais

O ex-presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra gaúcha (CODENE), e secretário geral da UNEGRO, José Antonio dos Santos, que briga na Justiça pela extensão do seu próprio mandato, acusou os delegados que não se alinham com suas posições e das correntes políticas organizadas que o apóiam, de “serem serviçais do racismo institucional da governadora tucana Yeda Crusius".

“O Movimento negro gaúcho assistiu mais uma vez um processo de desorganização e de tentativa de desqualificar o debate político das lideranças negras de nosso Estado”, afirmou José Antonio sem apontar quem seriam os "serviçais" e o que seria o racismo institucional que denuncia. A UNEGRO reúne os ativistas negros ligados ao PC do B.

Entidades organizadoras da Conferência e a Secretaria da Justiça, entretanto, garantem que grupos articulados pelo ex-presidente, e pelos ativistas Luiz Mendes e Waldemar Lima, o Pernambuco, tentaram tumultuar os trabalhos e chegaram a constranger o próprio ministro Edson Santos, ao forçarem a mesa a ouvir a leitura de um documento com críticas duras a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir).

No documento, eles acusam a má gestão da política étnico-racial pelos gestores da Seppir demonstrada "pela ausência de uma politica objetiva com corte racial no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), o que se refletiu de forma contundente no fracasso no Programa Brasil Quilombola”.

O ministro Edson Santos ouviu as críticas sem esboçar reação, ao lado do Secretário da Justiça. O constrangimento, no entanto, foi repudiado por entidades como o Conselho Municipal de Desenvolvimento Social e Cultural da Comunidade Negra do Rio Grande do Sul, que enviou ofício lamentando o desrespeito com a mesa diretora dos trabalhos.

“Repudiamos toda e qualquer falta de respeito com o movimento negro deste Estado, pois em sua grande maioria não são conhecedores destas práticas de grupos organizados, grupos estes que pretendem permanecer no poder, dando a impressão de que todos estão convictos e isto não é verdade”, afirma o presidente da entidade André Costa Brisolara Cardozo, em carta encaminhada ao ministro chefe da Seppir.